Os “miseráveis”

Obviamente, ao titular assim este poste, não pretendo referir-me à conhecidíssima obra literária de Victor Hugo, mas sim a quantos jornaleiros e cronistas de terceira categoria, comentadores de TV comprometidos e vendidos a certas ideologias, autênticos corifeus do bota abaixo, bajuladores dos seus líderes partidários, inúteis como membros de uma sociedade civil, onde felizmente ainda não morreu, nem morrerá nunca, estou certo disso, um enorme e infindável espírito de uma solidariedade sentida e sincera.

Nesta tragédia de dimensões e consequências imprevisíveis, que assolou as populações dos concelhos de Pedrógão Grande e de Góis, provocada por uma “tempestade” de fogo como não há memória por aquelas bandas, perderam-se vidas de nossos concidadãos para além de animais e bens materiais, muitos deles a  “fortuna” acumulada de uma vida de trabalho intenso ao longo de dezenas e dezenas de anos de uma vida sem mordomias.

Lendo com atenção, ouvindo atentamente, chega-se à conclusão, que no princípio ninguém acreditou, que a “tempestade de fogo“, que varreu literalmente 80% do mapa florestal daquela região, seria capaz pela sua potência de surpreender tudo e todos, responsáveis pela Defesa Civil do Território, Bombeiros e GNR, para além das próprias populações já habitualmente castigadas todos os anos.

Infelizmente, as condições climáticas (altas temperaturas, atmosfera com baixíssimo índice de humidade) associando-se a ventos fortes e instáveis na sua rota, num relevo de difícil acesso, com pequenas aldeias dispersas inseridas praticamente dentro, ou nas proximidades das matas, constituíram a “receita” ideal para que se concretizasse a enorme tragédia a que o País assistiu aterrorizado nos últimos dias.

Mas tal como os abutres, logo surgiram políticos de meia tigela, sem carácter, tentando aproveitar os mais que compreensíveis “erros” cometidos por esta ou aquela organização envolvida no combate ao monstro de fogo que assolou aquela região, assumindo-se eles, sim eles, como soldados infalíveis no lugar daqueles, que tudo deram, desde a vida ao abnegado esforço de muitas horas sem descanso, mas que nunca pretenderam outra coisa que não fosse a defesa acérrima das vidas e bens materiais dos seus semelhantes.

“Miseráveis”, é a expressão que me ocorre para os qualificar.

Ainda não arrefeceram os corpos de entes queridos de tantos nossos concidadãos, ainda choram os filhos a perda dos pais, dos pais a perda dos filhos, dos maridos a perda das esposas, das esposas a perda dos maridos, dos netos a perda dos avós e dos avós a perda dos netos, já cruzam os ares prestes a lançarem-se como abutres aqueles miseráveis, para quem, fazer Política é explorar o lema “vale tudo”.

Acreditem agora, mais do que nunca, que o Povo está atento e não se deixará manipular por gente de tão baixo carácter.

Não menos miseráveis, verdadeira escória da sociedade, são todos aqueles, que se aproveitando do abandono forçado e precipitado dos lares, das casas, dos bens materiais por quantos assim procederam para resgatar as suas vidas, entenderam apropriar-se de tudo quanto lhes aprouvera.

“Abutres”, é a expressão que me ocorre para os qualificar.

Lavagem de dinheiro, perdão, de e-mails

Curiosamente esta estória escandalosa de troca de mails com, e do Benfica, foi quase como um fogo fátuo, tão pequena foi a duração da sua exposição e discussão pelos diversos mass-média, em especial, pelos que se dedicam ao fenómeno desportivo do Futebol.

Se nos lembrarmos da persistência temporal de ataques dedicada a outros protagonistas do nosso futebol, aproveitando até os mais pequenos e quase caricatos episódios e especulando-os ao máximo, mesmo tentando ridiculariza-los, esta “quase indiferença” perante esta gravíssima denúncia de atos, que podem envolver corrupção, e ou tráfico de influência por parte de simpatizantes e, ou responsáveis do Benfica, só pode indiciar que um poderoso processo de lavagem está em andamento.

Parece que tudo se conjuga para desvalorizar esta escabrosa atuação de “honestos” cidadãos amantes da cor encarnada, mas muito em especial, da cor daquela coisa que faz girar o Mundo.

O conteúdo de alguns desses mails denunciam fortes responsabilidades de figuras próximas do poder no submundo do futebol. Vão mesmo ao pormenor de apontar nomes bem conhecidos do grande público, muito em especial, do afeto ao Futebol.

Dizer-se-ia, que vale tudo, ou quase tudo para se obter vitórias, ganhar campeonatos e muito especialmente com tais métodos, valorizar ativos para os colocar no mercado das transferências e assim, quem sabe, obter avultados dividendos de investimentos em fundos insondáveis, tais os volumes envolvidos, muito especialmente por quem publicamente está quase “falido”.

Os responsáveis maiores do nosso Futebol, em especial, a Comissão de Disciplina da Federação parece fazer o papel de “marido enganado”, calando, por omissão, e esquecendo as gravíssimas acusações apontadas por aqueles mails.

Parece que nunca a existência destes mails foi negada pelos visados, pelos responsáveis do clube em causa, mas que apenas de modo infantil, se diz ter esquecido o conteúdo.

Não haverá já razões de sobra para que a Comissão de Disciplina da Federação abra um rigoroso e imparcial inquérito sobre estas denúncias envolvendo um número significativo de árbitros e outras personagens do mundo do futebol profissional, acusadas de manipulação de resultados? Ou a força da justiça federativa só se faz sentir quando estão em causa os pequenos clubes, os seus profissionais, como no caso de suspeitas de manipulação de resultados para as apostas desportivas?

Dois pesos e duas medidas? Valha-nos o vídeo-árbitro!

 

 

Macron e La France en marche

Este novo movimento político francês, designado assim porque não o entendo como um novo partido, “La France en marche”, reúne simpatizantes das mais variadas origens partidárias, de ideologias diversas, simpatizantes, que considerarei como simpatizantes e militantes descrentes e insatisfeitos com as lideranças dos seus partidos de coração, e de um sem número de cidadãos, que até aqui não se reviam em quaisquer uma das ideologias defendidas nos diversos partidos da panóplia partidária francesa.

Curiosamente, Macron, um ainda jovem político consegue arrastar e aglutinar no seu movimento político, “La France en marche”, muitos milhões de franceses provavelmente cansados das lutas partidárias, fartos de uma política partidária de lideranças, que sempre colocaram os seus interesses pessoais e partidários à frente dos interesses do coletivo, dum eleitorado, constantemente enganado por chorrilhos de falsas promessas.

Os Franceses, creio até certo ponto, aprenderam com Portugal, com os portugueses, também eles enganados constantemente por líderes partidários, que só têm “olhos e barriga”, para os seus apaniguados.

Macron terá que se cuidar, terá que vigiar a sua própria sombra, pois o seu movimento é constituído por múltiplas personalidade e ideologias diferentes, de origens partidárias muito diferentes, que poderão acabar por ter a tentação de tomar o Poder, poder sempre como a meta para a realização dos seus interesses pessoais e políticos.

Bastará a Macron, nunca se esquecer da história da Democracia Francesa, da Revolução da Bastilha, da Revolução Francesa, que implantou o conhecido lema “Liberté, Igualité et Fraternité”.

Deverá recordar, que no princípio, tudo e todos “remavam” para o mesmo lado, depois foi o que se viu. Lutas fratricidas, o Poder caído nas mãos de quem não estava preparado para governar, as vinganças mesquinhas, a barbárie à solta.

“La France en marche”, para mim, trata-se de um movimento nacionalista, pretensamente apartidário, que pretende agradar a gregos e a troianos, atrair e aglutinar contentes e descontentes com a Europa Unida, com a globalização, afinal um mundo permanentemente em convulsão e incapaz de definitivamente de se tornar uma União Europeia de facto, em todas as suas vertentes desde a financeira à social. E já lá vão demasiados anos!

Conseguirá Macron com a sua “La France en marche” a força necessária para disputar com a toda poderosa Alemanha da Senhora Merkel, a divisão de poderes e realizar em definitivo uma verdadeira reunificação europeia, numa Europa a uma única velocidade, realmente solidária, igualitária, sem xenofobias, nem quaisquer preconceitos religiosos e ou sociais?

A Macron espera-o uma tarefa gigantesca, começando pela sua própria casa, se pensarmos nas razões de uma abstenção acima dos 50%. Como diríamos por cá, “nem tudo o que reluz é ouro”. 

A História da velha Europa, do eixo franco-alemão, nunca nos trouxe alguma coisa de duradouro, muito menos de bom. Duas grandes guerras falam por nós. O narcisismo germânico sobreviveu à derrota em duas guerras, que trouxeram aos Europeus a morte de milhões de inocentes, a fome, o descalabro da economia europeia, o caos social, o desemprego de milhões. Tudo em prol da hegemonia ariana.

Cuidado Macron!

De sondagem em sondagem

De sondagem em sondagem, desta vez efetuada pela Aximage, o P.S.D. cujo líder é Pedro Passos Coelho, continua a descer nas sondagens pelo terceiro mês consecutivo, novo mínimo no último ano, revelando agora ter apenas 24,5% das intenções de voto. Por contraponto o P.S. de António Costa alcança mais de 40% das intenções de voto.

Quanto ao índice de popularidade, Pedro Passos Coelho volta a descer, sendo mesmo o líder partidário de menor popularidade, enquanto António Costa se mantém destacado na liderança.

As gentes do P.S.D. parecem anestesiadas, incapazes de se revoltarem contra tal liderança, que está a “enterrar” o partido social-democrata para patamares tão baixos de confiança eleitoral como já não há memória.

Liderança, que persiste continuadamente na política do bota abaixo, da oposição pela simples oposição, sem outra intenção, que não seja amesquinhar o trabalho do governo do P.S. de António Costa apoiado pela “geringonça”.

Desde fazer futurologia anunciando desgraças e tempestades sobre o Povo Português, desde a manifestação do desejo da vinda do Demo a Portugal, até ao anúncio sem vergonha de que todos os méritos sobre a excelente evolução da economia e finanças do país também eram mérito seu, de tudo um pouco, até ao reconhecimento de Schauble, o ministro das finanças alemão, amigo tão querido de Maria Luís Albuquerque de que Mário Centeno seria como que o “Ronaldo das Finanças de Portugal”, Passos Coelho o mau perdedor, o “exilado” de Massamá, o vendedor de falsas promessas, o mentiroso compulsivo não perde pitada, nem oportunidade para enterrar cada vez mais o P.S.D..

Quase como o dito popular “cada cavadela, cada minhoca” direi, cada vez que abre a boca aumenta mais o número de eleitores, que revelam a sua intenção de voto no P.S..

Como é possível que a inércia de uns tantos se permita manter este estado de coisas, de assistir ao desmoronamento de um partido com responsabilidades históricas na Democracia de Abril?

No mínimo é estranho, mesmo incompreensível para os muitos milhares de filiados e simpatizantes daquele partido, que já não se reveem na linguagem apenas retórica e manifestamente pobre intelectualmente de Pedro Passos Coelho, obviamente,  politicamente falando.

As eleições autárquicas aproximam-se, anuncia-se nova derrota da Direita coligada.

Que mais será preciso para que o PSD realize um Pedro watergate, que só pecará por tardio?

Irrelevantes versus pertinentes

Irrelevantes foi a qualificação atribuída por Luís Filipe Vieira aos mails dados a conhecer ao grande público pelo Diretor de Informação do F. C. Porto, que se interessa por estas questões do Futebol, e em especial, aos adeptos do S. L. Benfica.

Obviamente me refiro aos conteúdos daqueles mails, considerados pelo presidente do Benfica como irrelevantes.

Se ser irrelevante é ser citado como um dos destinatários de algum, ou alguns desses mails, mail, onde, por exemplo, se apela aos seus bons serviços em prol de um filho dum antigo árbitro da Comissão de Braga, que nesses mesmos mails faz juras de amor e fidelidade ao clube da sua paixão, então terei que concluir, só a notável iliteracia do líder máximo do Benfica poderá justificar tão descabida conclusão.

Ver os nomes de elementos, que lhe são muito próximos na administração do clube serem citados nesses mails, parece coisa de somenos, totalmente irrelevante, diria pomposamente Luís Filipe Vieira, não percebendo a pertinência que tal correspondência traz ao contexto do problema, apenas e só, uma enorme responsabilidade pelo desastre quase generalizado das arbitragens em Portugal.

Mas será, que tal descalabro no trabalho dos senhores juízes da arbitragem se deve à sua  incompetência, à sua impreparação? Não, com toda a certeza que não. Outras altas e ponderosas razões se levantam no caminho do numeroso grupo de juízes citados nesses mails, e a principal, a mais relevante (agora sim) é a sua normal e compreensível vontade e ambição de subir no ranking da arbitragem, de alcançar o topo, a internacionalização. Os senhores juízes de arbitragem são homens, são isso mesmo, são humanos com as naturais fraquezas de todo o ser humano.

Para tal, como em muitos outros sectores de atividade onde existe uma carreira de promoções, ressaltam os velhos hábitos lusitanos, a “cunha”, a “cartola”, aquilo que se designa como o tráfico de influências movido pela força do capital, ou simplesmente pela alimentação de um ego prazeroso.

Afinal, depois da tomada de posição pública do Benfica, que entre um estado de negação absoluta, que se diria quase paranoica, e uma admissão da existência dos mails, mas que defendem como “falseados e manipulados”, surge uma pusilânime reação de atacar os seus rivais mais diretos, exigindo a reabertura de um processo jurídico já julgado e encerrado, o “Apito Dourado”, revelando com isso sim, a autêntica pertinência dos “crimes” que lhes são imputados.

Curioso é o ataque à instituição Sporting Clube de Portugal, na pessoa do seu presidente Bruno de Carvalho, por declarações deste em relação a um ex-dirigente da arbitragem, Vítor Pereira, ou seja, a “tática” elaborada e a aplicar para socorro nesta hecatombe provocada pela denúncia dos mails é disparar em todas as direções, hostilizar o maior número de adversários na arte do pontapé na Ética, procurando, que nunca venham a conhecer a “nobre arte da manipulação de resultados”. 

Sim, porque essas coisas dos vouchers, as camisetas do Rei Eusébio não passam de uns trocos a investir, para granjear apenas a simpatia, que não a colaboração orientada, dos donos do apito. Essa exige muito mais que “fruta e café com leite”, como se o ato da corrupção e o tráfico de influências, se medissem por escalas colorimétricas diferentes.

Fuga prá frente, é muito pouco como argumento de retaliação para tanto de “irrelevante”, não vos parece?

OBS: cuidado nesse desejo de rever as gravações áudio do julgamento do Apito Dourado, talvez em alguma delas haja a surpresa de se ouvir a voz de algum dos atuais “indignados” pedindo ajuda ao “santíssimo”.

Simplesmente obsceno

O Mundo do Futebol infelizmente dá guarida a gente de toda a laia, daí que não deveremos sentir asco, nem espanto, ao tomar conhecimento de certos factos, simples resultados das mais variadas negociatas, envolvendo transferências de jogadores profissionais (os escravos do mundo moderno), ou os concluios entre partes “amigas e interessadas” no negócio Futebol, mesmo que ao arrepio da Isenção, da Verdade e da Justiça, enfim, tudo quanto se possa imaginar a acontecer no obscuro submundo do futebol português.

Imagine-se por momentos um eventual caso de tentativa de suborno, não sobre qualquer elemento de um determinado plantel, mas sobre o próprio presidente do clube e, refira-se, mesmo que para espanto de muita gente, da autoria e exercida por um conceituado sócio honorário do clube de ambos, presidente e sócio. Obviamente, que o que estava em causa, o que se pretendia nessa tentativa de suborno era garantir a derrota do próprio clube afim de favorecer terceiros.

Merecerá incredulidade, talvez, mas garanto-vos, que tal como os mails trazidos à luz do dia pelo Diretor de Informação do Futebol Clube do Porto o facto imaginário aconteceu.

Sucedem-se os mails envolvendo toda uma série de personalidades, antigos e atuais árbitros de futebol, ex-dirigentes federativos, altos responsáveis do S. L. Benfica, responsáveis de conteúdos da TVB, quiçá, acabemos por ver dilatar esta lista de personalidades exemplares, verdadeiros ídolos à frente dos seus clubes.

Ídolos, parece que de pés de barro!

No mínimo, mas de modo bem evidente, pulula o submundo do nosso futebol uma espécie de gente sem vergonha, sem pudor, capaz de se verem ao espelho sem sentir nojo de si próprios.

É a escória de um desporto que envolve e atrai muitos milhões de adeptos, ingénuos militantes dos seus clubes, capazes de tudo fazer pelas suas bandeiras, até ao ponto de “lixiviarem” os “fenómenos de honradez”, que aqueles mails denunciam.

Pouca vergonha, ou muita lata?

De há uns tempos para cá são tantos os factos, tantas as ocasiões, que acabaram rotuladas como casos de pouca vergonha, casos, que para mim merecem antes ser rotulados como de muita “lata”. É que me parece esta expressão, “ter muita lata”, coadunar-se melhor com as personagens, que têm dado um uso desmesurado à outra expressão “pouca vergonha”.

E quando a torto a direito, se usa e abusa de qualquer expressão, ainda por cima de uma expressão tão contundente e tão afirmativa como esta de “ter pouca vergonha”, correndo-se o risco de se ser apelidado de mau perdedor, ou de limitado intelectual pelo seu doentio faciosismo, depressa se chega à conclusão, que mais valera estar calado, pois no caso de Pedro Passos Coelho utilizador insistente desta anacrónica expressão, repito, depressa se chega à conclusão tal como o dito popular, que mal abre a boca ou sai asneira ou entra mosca.

Não sou eu que o afirmo, são as consecutivas sondagens que apontam para a constante queda da sua popularidade, e até os desmentidos dos seus pares, como muito recentemente no caso Lacerda/TAP fez Marques Mendes, ex-presidente do PSD.

E como está em moda falar-se de pouca vergonha, ou como eu prefiro, falar-se de muita lata, recordo aqui o estranho caso dos mails trocados entre um antigo árbitro de futebol, que pertenceu aos quadros da Comissão de Árbitros de Braga e o atual comentador oficial do Benfica, na SIC, um tal Pedro Guerra.

Nestes mails, vindos à luz do dia pelo responsável de informação do Futebol Clube do Porto, denunciava-se o poder absoluto do 1º ministro (Luís Filipe Vieira), da existência de um grupo de árbitros “adeptos” e “súbditos“, enfim, toda a estória dos “cozinhados” que só gente de bem consegue elaborar.

E para cereja no cimo do bolo, direi apenas que o tal Pedro Guerra, com a maior das latas declarou, que tais mails existem, mas que não se lembra do conteúdo.

Com todos podemos concluir, Pedro Guerra, foi salvo por uma amnésia seletiva, coisa que seguramente o Conselho de Disciplina da Federação deverá levar em consideração.

O problema porém poderá vir a complicar-se, pois do numeroso grupo de árbitros (8), apontados como “súbditos” da irmandade encarnada, ainda nenhum se pronunciou, outro tanto aconteceu até agora ao responsável pela Associação de Árbitros. Calado e mudo, tão diferente doutros tempos e doutras ocasiões.

É bem verdade, que uns são filhos e os outros nem enteados são. É certo que nem todos são tão simpáticos a disponibilizar bilhetes de livre de trânsito.

É bem verdade que para além de uma grande pouca vergonha, também há lata que dá para oferecer e vender.

Nestas coisas da “bola” e da “arbitragem” parece, que o ex-árbitro Jorge Coroado teria muita coisa a contar, tal como Hugo Miguel, árbitro ainda em atividade.

Lobbys, corrupção, cartelizações, etc.

O tema corrupção está na moda como se fosse algo de novo na nossa vivência de portugueses, gente simples, pacífica, cordata, e muito especialmente, pacientes ao extremo.

Desde sempre, e quanto me recordo, a corrupção conviveu sempre lado a lado em todas as nossas atividades profissionais, como se de uma segunda pele se tratasse.

Quem nunca foi testemunha, quem nunca pediu, quem nunca procurou a chamada “cunha”, quem nunca abordou esta, ou aquela personalidade, mais ou menos influente no meio social, laboral ou político, para satisfazer, ou realizar os seus desejos, alcançar as suas metas?

Já Diógenes, filósofo da Antiga Grécia, mais conhecido como o “Cínico“, declarara então ao ser inquirido por um grupo de seus discípulos, duvidando da sua integridade mental,  ao encontra-lo percorrendo as ruas da velha Atenas, de dia com uma candeia acesa, que se limitava a procurar um “homem honesto”.

Desde os princípios da Humanidade, que a corrupção grassa por todos os continentes como uma lepra incurável, como um temível cancro extensamente metastizado, sem cura possível.

Então porque nos espantar-mos com o surgimento de lobbys? Não são eles outra coisa senão como as tais metástases de qualquer tumor maligno, afinal da corrupção.

Falar em lobbys (o da energia está na berra) é precisamente a mesma coisa, que falar em corrupção, tráfico de influências, aliás tudo figuras bem explícitas no código penal, que invariavelmente não passam disso mesmo, apenas figuras.

Não esqueçamos as cartelizações, modo ilícito de rodear a lei da concorrência, mas tantas vezes praticado, que acaba por parecer legal. É preferível que todos possam especular mais e que o pobre do consumidor continue a ser explorado sem que alguém ponha ordem no cumprimento da lei.

Vale tudo, afinal o Mundo é dos espertos, dos chico-espertos.

 

Simplesmente patético… e o DAESH agradece

Acabei de assistir na RTP1 às explicações dadas pelos seus responsáveis das direções de programação e de informação, quanto às razões da transmissão em simultâneo (ecran dividido) de um concerto solidário em Londres em honra das vítimas de mais um bárbaro atentado realizado pelo DAESH e da final da Taça de Portugal em futebol feminino, disputada entre dois dos mais consagrados clubes de futebol em Portugal, o Sporting Clube de Portugal e o Sporting Clube de Braga.

Obviamente, que aqui conflituam-se interesses muito diferentes, pois temos aqueles, que são simpatizantes do desporto-rei, e no caso de uma final da Taça de Portugal em futebol feminino tratar-se-iam de alguns milhões entre associados e simpatizantes dos dois clubes já referidos e alguns milhares (50.000 os espectadores) dos amantes da música de Ariana Grande, principalmente constituídos por jovens. Certo que a transmissão do concerto se fez para cerca de trinta países

Foi exatamente no concerto dado por aquela cantora em Manchester, que se deu o horrendo atentado com um sem número de mortos e feridos, atentado reivindicado pelo DAESH.

Sem pretender desvalorizar, qualquer um dos acontecimentos, coisa que a RTP1 não fez, já que não lembra a ninguém a transmissão em simultâneo dos dois acontecimentos, decisão agravada pelo desrespeito afinal àqueles que por cá contribuem com o seu dinheiro para a sobrevivência de uma estação de TV dispondo de 3 canais, RTP1, RTP2 e RTP3, devo respeitar também todos aqueles amantes da música, em especial de Ariana Grande, a jovem artista de 23 anos, que teve a iniciativa de lançar este concerto solidário.

Bem haja, Ariana!

Os dois acontecimentos referidos estavam anunciados há tempo suficiente, vários dias, para que a Direção de Programação e Informação atempadamente colocasse as duas transmissões em canais diferentes dado que os seus horários se viriam a sobrepor.

Simplesmente patética a explicação dada no sentido de não ter sido prevista a hipótese de um prolongamento no jogo, como foi o caso, e ainda a demora maior ou menor da cerimónia da entrega do troféu à equipa vencedora, no caso o Sporting Clube de Portugal, quando era do conhecimento público, que o concerto se iniciaria antes do final do jogo Sporting- Braga.

Foi doloroso ouvir os responsáveis da RTP1 explicar o inexplicável, tentando à boa maneira portuguesa alijar as culpas para terceiros, para um facto bem presumível, o tempo necessário a um eventual prolongamento para que se pudesse apurar um finalista vencedor, para além da cerimónia de entrega do troféu, cerimónia marcante para quem com tanto esforço e dedicação, contribuiu para o merecer.

Infelizmente a RTP1 já nos habituou às suas escolhas clubísticas, também à preocupação pelos “shares” das audiências e da popularucha política de “maria vai com as outras”.

No passado sombrio da nossa História Pátria, entretinha-se o Povo com a política dos 3 efes – Futebol, Fado e Fátima. Agora para parecer que é diferente, que a Democracia chegou à TV, temos Futebol, Fátima e Telenovelas em doses industriais.

Já na minha infância, nas feiras tradicionais do Norte, se assistia ao cantar versejado e choradinho da coitada da desgraçadinha, vendendo-se uns panfletos aos papalvos com a estória da dita desgraçadinha. E não é, que não faltavam clientes?

A história repete-se, papalvos continuam a existir e muitos, diga-se, enquanto uns senhores bem instalados e convictos da sua sapiência, continuam a dar ao DAESH aquilo que eles tanto adoram e agradecem, a contínua publicidade dos seus horrendos atos, e se possível com todos os pormenores por mais escabrosos que eles sejam.

Tal como na minha infância, o share dos cantadores de desgraças nas nossas feiras aumentava quanto mais negra era a desgraça da coitadinha.

Mal hajam senhores responsáveis pela programação e informação da RTP1 pelo péssimo serviço, que prestaram aos seus telespectadores.

Por muito menos há neste Portugal, quem perca o seu emprego.

Pobre Povo, que triste sina tens!

Obrigado Sócrates

Quem diria depois de tudo quanto se escreveu e ainda se escreve de culpas, crimes financeiros e corrupção à volta da figura do antigo primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, chegasse o dia em que os Portugueses acabassem a pronunciar com a maior das reverências o nome de Sócrates?

Pouquíssimos, ou mesmo nenhuns, seriam os Portugueses que quisessem correr o risco de publicamente imitar a prática de vida daquele ex-governante, afinal nada mais que rotineira, por tudo quanto nos é dado ver e saber de há uns tempos para cá neste belo, e parece também que muito rico, jardim à beira-mar plantado.

Desde que Maria José Morgado, aquela jurista que considero como a percussora do combate contra a corrupção em Portugal escreveu sobre a sua origem, as suas causas, e descreveu de modo extremamente claro os seus mecanismos, apontando caminhos a seguir e dando soluções para minimizar o problema da corrupção em Portugal, que como contribuinte cansado de ser esmifrado nos resultados do meu suor, do meu trabalho, da minha pensão de reforma, ansiava para que a luz do dia denunciasse toda uma corja de corruptos, que por aqui têm andado, rindo-se nas nossas caras, fazendo-nos de bobos ainda por cima mal pagos, mas parece que agradecidos.

Corrupção em Portugal é tanta, que já dá para perverter quase tudo e todos, sem que haja a necessidade de a importar de quaisquer dos continentes, sul-americano, ou outro.

Desde o Futebol à Política, passando por todos os sectores da atividade qualquer que ela seja, a corrosão social e moral, causada pela corrupção, pelo tráfico de influências, avança tal como um verdadeiro “tsunami“, eliminando todos os “obstáculos”, que se lhe levantem, sejam de ordem ética, moral ou legal.

Assim, perante o constante anunciar como arguidos de grandes “personalidades” envoltas na suspeição de uma prática corrupta, algumas delas muito próximas do Poder Político, a denúncia de tais práticas envolvendo agentes da Arbitragem Portuguesa e um dos grandes do nosso Futebol, não se torna um facto de espantar, mas apenas e só, mais um “incidente” no pouco respeitável e menos desportivo percurso, que desde há largos anos percorre o nosso Futebol.

Vou mais longe ao afirmar, que mal irá quem se atreva a afrontar tais “ditames” vindos de quem vêm, daqueles que dizem dedicar todo o seu esforço, mérito e inteligência em prol do bem de todos, em prol dos seus consócios.

De todos, será excessivo afirmar, bem, talvez de alguns, começando por nós mesmos, com é óbvio, não vos parece “parolos”?

Terminaria recordando-vos aquele dito popular, que reza assim:

“Primeiro eu, depois ainda eu e os outros que se amanhem”